Mali: presidente e primeiro-ministro capturados por motim militar

Militares malianos amotinados contra o presidente Ibrahim Boubacar Keïta. Foto: AFP.

Um motim militar desencadeado nesta terça-feira, 18 de agosto, na República de Mali, tomou como reféns o presidente do país, Ibrahim Boubacar Keïta, e o primeiro-ministro, Boubou Cissé. De acordo com as lideranças militares, os governantes foram detidos em suas próprias residências e estariam sendo encaminhados para o campo militar de Kati, conforme noticiado pela agência AFP.

“Podemos afirmar que o presidente e o primeiro-ministro estão sob nosso controle. Os detivemos em seus domicílios” foi a declaração da liderança militar, dada sob anonimato. “IBK [sigla do presidente Ibrahim Keïta] e seu primeiro-ministro estão em um blindado rumo a Kati”. Esse acampamento militar é também o local onde o motim teria se iniciado, localizado a 9 milhas da capital, Bamako.

De acordo com um embaixador europeu que serviu de fonte anônima para o jornal The Guardian, o motim teria sido dado por um pequeno contingente de militares, sem relação com o alto-comando das forças armadas do país. O motivo do levante teria sido a insatisfação com as negociações sobre o valor do pagamento do soldo.

A notícia da captura de Keita e de Cissé veio duas horas depois de o primeiro-ministro lançar um comunicado clamando para que os ânimos se acalmassem e não desestabilizassem o país. “O governo apela para a razão e o sentimento patriótico e pede que as armas sejam abaixadas em silêncio… e é imediato que as partes se engajem em um diálogo fraterno para que cheguem a um acordo”, afirmava o comunicado emitido pelo primeiro-ministro.  

Esse motim ocorre em sequência aos protestos que têm tomado conta do país contra o presidente. As manifestações que têm agitado a política maliana possuem como pauta a saída de Ibrahim do posto presidencial e que o sistema político-eleitoral do país seja reformado.

O campo de Kati possui histórico relacionado a motins militares: foi de lá que partiu um distúrbio ocorrido em 2012 contra o então presidente Amadou Toumani Touré. Aquele evento foi responsável por levar o país a uma onda de instabilidade, aproveitada por grupos separatistas e fundamentalistas islâmicos.    

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