Bolívia: MAS rejeita presença da OEA nas eleições presidenciais

Sergio Choque, presidente do MAS, diverge do posicionamento do próprio partido sobre a OEA. Fonte: Câmara dos Deputados da Bolívia.

O Movimento pelo Socialismo (MAS), partido do ex-presidente boliviano Evo Morales e atual líder nas pesquisas para sucessão presidencial na Bolívia, rechaçou em comício realizado nesta sexta-feira, 10 de julho, a presença da Organização dos Estados Americanos (OEA) como observadora nas eleições presidenciais.

A razão do repúdio é relacionada à interpretação do partido de que a OEA foi parte fundamental na deposição de Evo Morales. Na ocasião o órgão denunciou a vitória de Evo Morales na eleição de 2019 como resultado de fraude, o que levou ao cancelamento do pleito e à renúncia forçada do ex-presidente e de quase toda a cadeia de sucessão presidencial. Quem assumiu a cadeira presidencial após a renúncia foi a senadora de direita Jeanine Añes, até então segunda vice-presidente do senado boliviano.

Em comunicado referente à presença da OEA na eleição deste ano, o MAS manifestou que “cremos que não é ético que voltem a participar, por terem sido parte do golpe contra a democracia e o Estado social de direito constitucional na Bolívia”. O comunicado também põe em dúvida a capacidade técnica da organização e sua parcialidade como observadora, afirmando que a OEA “realizou um trabalho parcializado e subjetivo que deu lugar à dúvida e à violência de grupos racistas que se reuniram como agrupamentos paramilitares”.

O comunicado lançado pelo comitê do MAS aparece como resposta à confirmação, que o Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia deu em junho, de que a OEA, junto com outros dois organismos internacionais, a União Européia e a Associação de Organizações Eleitorais da América Latina, enviarão missão de observação para acompanhar o pleito boliviano, que deve ser realizado em 6 de setembro.     

Além de rejeitar a missão observadora da OEA, o MAS também declarou que é contrário à permanência da organização na Bolívia: “em caso de persistir em seu posicionamento unilateral, consideraremos uma provocação ao nosso pobre povo”.

Entretanto, o presidente da Câmara dos Deputados e dirigente do MAS, Sergio Choque, contradisse o comunicado do próprio partido e declarou que “qualquer instituição internacional tem as portas abertas para ver e garantir as eleições gerais”. O repúdio à OEA vem em um momento favorável eleitoralmente ao MAS, onde seu candidato, Luis Arce, lidera as pesquisas de intenção de voto com 33,3%.

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